AKA Mediterranean Spotted Fever
Etiologia: Rickettsia conorii
- Cocobacilo gram indeterminado
- Intracelular obrigatório
Transmissão: picada de carraça Rhipicephalus sanguineus (aka carraça do cão)
- Tempo mínimo de picada >6h para transmitir (NÃO é a Ixodes !!)
Epidemiologia:
- Portugal apenas! Não nos EUA
- Mediterrâneo
- Endémica em Portugal
- Europa do sul
- Mais comum no verão (vs. Ixodes - Primavera/Verão)
Apresentação clínica
- Incubação: é necessário contacto com a carraça por 15-20h
- Pródromo
- 1 semana depois
- Febre - muito elevada e incapacitante “gripe do verão”
- Escara ou “Tâche-Noire” - no local da picada em 70% dos casos
- Indolor, ~2cm, eritema circundante, pode ulcerar
- Linfadenopatia reginal dolorosa
- Exantema
- 3-5 dias depois
- Maculopapular
- Centrípeto (primeiro extremidades, depois tronco)
- Pode incluir palmas e plantas
- Resolve em 1-2 semanas sem cicatriz ou hiperpigmentação
- Pode ter petéquias e púrpura, mas raramente há evolução para vasculite grave --> úlcera necrótica, gangrena
Complicações:
- encefalite,
- hepatite,
- cardite
- complicações renais
- complicações hematológicas (trombocitopenia)
DDx: syphilis, drug rash
Diagnóstico: clínico (= todas as ricketsias)
- Iniciar tratamento sem confirmação laboratorial
- Reação de Weil-Felix (reação cruzada com proteus mirabilis) - já não usada
- Conversão serológica
- Pode se pedir Rickettsia 23s rDNA por biologia molecular
Tratamento (= todas as ricketsias)
- Suporte: paracetamol, AINEs
- AB:
- Doxycycline 100mg 2id 7 dias; 2,2mg/kg 2id em criançcas >8 anos
- se <8 anos
- azitromicina 10mg/kg single dose
- claritromicina 7,5mg/kg/dia 2id 3 dias
- Alternativas: quinolonas, cloranfenicol
Prognóstico
- Geralmente bom
- Maior risco em crianças pequenas, idosos e imunodeprimidos